terça-feira, 20 de novembro de 2012

Peças soltas numa engrenagem momentos antes da implosão


Não compreendo o mundo, não compreendo o discurso sobre a realidade, não compreendo os humanos, nem os animais dentro deles, não compreendo os sinais, nem os signos, nem o trânsito na rotunda. O mundo caiu ao chão e quando o apanharam escutaram-se peças soltas na engrenagem.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Wim Mertens Ensemble - Struggle for Pleasure


-Dás-me licença que te ame? - Perguntou ele. -Agora não, tenho muito em que pensar, o ruído do teu amor por mim pode interromper o meu fluxo mental, não leves a mal.- Disse ela, sem desviar os olhos do livro. -Então deixa-me olhar para ti. -Isso ainda é pior, a contemplação interfere de um modo subterrâneo e insinuante, por favor não o faças. -Está bem, está bem, vou odiar-te em silêncio, se isso te convém. -Ainda não compreendeste. Eu quero que Não tenhas sentimento algum por mim, ignora-me, sem desprezo, desconhece-me, sofre de amnésia emocional sobre mim. Ele saiu batendo a porta, sem palavras. Ela fechou as pesadas cortinas de veludo verde e recostou-se, sem livro. Agora podia saborear o vazio.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Há um inverno a descer sobre este outono.Sigur Ros - Olsen Olsen - HD


Há um Inverno que desce sobre nós. Um frio de luz que agride os nossos olhos turvos. Lágrimas, lágrimas e dentes cerrados. Há um outono que se esconde de nós. Folhas vermelhas em fuga. Há um inverno que se instalou por baixo da pele. Uma morte pequenina que incendeia a vontade.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Adriano Correia de Oliveira - Tejo que levas as águas


Passaram mais de vinte e quatro horas. A cidade lavou a ferida. E correm mágoas para o mar. seguem-se outros capitulos negros de uma história negra. os miúdos na rua, as vontades pueris de se tornarem ícones de uma revolta, um sistema sem possibilidade de regeneração, e a pergunta dolorosa a regressar em espiral. A ética e a fome que relação mantêm?

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Anouar Brahem - Conte de l'incroyable amour


Qual é a quantidade de tristeza que uns olhos podem guardar? Quando é que a tristeza transborda? Como é que a tristeza se veste de fúria e vai da água ao fogo?

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Que sabes tu acerca do sabor do inferno?


Ainda acabrunhado, ele agarrou-lhe a face com dois dedos e afirmou: -Despertas em mim o que há de pior, perto de ti confirmo a existência do inferno. Ela evitou cruzar o olhar. Aquela conversa não lhe agradava. - Preferia que me falasses de ambrosia e mel, mas se preferes o sabor do inferno, devo afiançar-te que nada sei sobre o assunto, talvez tu me possas explicar. Encerrado o diálogo, sobraram os gestos, aqueles que não cabiam nas palavras e que galgam o silêncio numa vertigem sincopada.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012