sexta-feira, 11 de outubro de 2013
Sou a tua parte sombria Emmy Curl - Like The Rain
O cabelo era um cabelo revolto
as mãos poderiam matar ou amar
os olhos perdidos no fundo das olheiras
os lábios mordidos, a boca fechada.
Caminhava como se um longo manto de algas a cobrisse.
- Sou a tua porção de sombra- disse-lhe ele.
Ela semicerrou os olhos e compreendeu.
- Obrigada por me achares, porque demoraste tanto?
domingo, 6 de outubro de 2013
e eu a chamar-te
http://www.youtube.com/watch?v=0F24oewmNG4
Joan Miró
De nós apenas contornos
sem espessura ou profundidade
traços demasiado breves
e eu a chamar-te
e tu sem te reconheceres
no nome que te dou
e eu a chamar-te
e os traços, agora riscos,
a morrerem na folha
e eu a chamar-te
tens a cicatriz
e eu o tear.
Joan Miró
De nós apenas contornos
sem espessura ou profundidade
traços demasiado breves
e eu a chamar-te
e tu sem te reconheceres
no nome que te dou
e eu a chamar-te
e os traços, agora riscos,
a morrerem na folha
e eu a chamar-te
tens a cicatriz
e eu o tear.
sábado, 5 de outubro de 2013
Porque se zangam as pessoas?
A tradução popular do individualismo não esclarecido poderia ser a frase "trata é da tua vidinha e não te preocupes com a política", este mote pautou e pauta o exercício da cidadania de milhares de portugueses.
Esta noção de que o tratar da vidinha é incompatível com a consciência política revela o abismo entre os cidadãos e os governantes. Esta separação entre aquilo que deve ocupar cada um, colocando em lados diferentes, as pessoas e os políticos, foi a pedra basilar para a não monitorização da condução da democracia. Os cidadãos deveriam apenas comparecer nas alturas devidas nas urnas para legitimar o regime, um regime que reivindicava a orientação popular ( republicana) mas que esgotava a relação com os cidadãos num orgasmo com hora marcada e sem direito a noite nem a escova de dentes na casa de banho.
E os cidadãos que tinham falta de cultura democrática, lá iam tratar das suas vidinhas, e tudo correria tranquilamente não fosse a falta de liquidez que arrancou com violência, inédita nos últimos 35 anos, os cidadãos dos centros comerciais e os forçou a regressarem às praças.
Hoje quase todos opinam, opinam os que sempre participaram, os que nunca participaram e aqueles que perderam as vidinhas, e porque opinam?
Estão audivelmente zangados, e porque se zangam as pessoas?
Zangam-se porque a ética, a noção de bem comum e o serviço público, não fazem parte do modus operandi dos eleitos para gerirem e decidirem o presente e o futuro.
Era bom sinal.
Mas temo que se agora nos chovesse um qualquer ouro de um qualquer Brasil, toda esta consciência social se diluiria.
Se a maioria dos cidadãos pudesse regressar às suas vidinhas, os outros poderiam manter-se sem serem prescutados. E este temor apavora-me mais do que a implacável certeza do terror e da miséria.
Apavora-me que seja possível praticar todo o tipo de maldades sobre um povo, contando que este possa iludir-se saboreando as migalhas, apavora-me que a consciência da necessidade de justiça, de equidade, de coesão social, esteja directamente dependente da quantidade de bens de consumo a que se tem acesso, da possibilidade do exercício de um individualismo bacoco que é muito mais uma demissão da consciência do que a construção de uma sociedade de indivíduos que superam a tribo e assumem o seu destino e a sua autoregulação.
No fundo, sei que se o Jardim arranjasse euros para despejar na Madeira, talvez os madeirenses ignorassem a ausência de cultura democrática, se o Machete trouxesse uns diamantes angolanos que nos livrassem da troika, Angola receberia um prémio de direitos humanos e uma comenda presidencial, ante o aplauso apalermado de uma turba lambuzada.
Se as pessoas se zangassem perante a exibição despudorada da ausência de ética, teriam que se ter zangado durante as últimas décadas com muitos dos governantes que endeusaram, teriam que se zangar consigo próprias por terem escolhido a cegueira selectiva e não terem exercido a cidadania esclarecida e atenta.
quarta-feira, 25 de setembro de 2013
Será provocação?
O ponto de abjecção a que a política chegou, leva-me a suspeitar de que os nossos decadentes representantes são afinal os nossos maiores aliados contra o fim da democracia.
Insana suspeição?
Não me parece, na verdade, que outro propósito poderiam ter estes cavalheiros e estas damas senão espicaçar-nos, sacudir-nos violentamente até que tomemos consciência que não se anuncia apenas o fim do estado social mas o fim do estado tal como o concebemos, e com o fim do estado virá o fim das nações e com o fim das nações virão os governos corporativos globais, e com eles uma repressão do individuo não cooperante à escala planetária.
Agradeço profundamente as trapalhadas, as mentiras, as negociatas, as propostas indecorosas, a austeridade brutal, o aumento do desemprego, a falta de expectativas, os swaps as pps e as pqps, e toda a sorte de tripalium que vos lembrardes.
Foi penoso e demorado mas compreendi, vós sois mensageiros do bem, mas estais impedidos de falar abertamente, de nos alertardes de forma simples, por isso haveis recorrido a esta ardilosa manobra, conduzir-nos ao abismo, para nos despertardes do secular torpor.
Na verdade, sois os primeiros a ansiar pela nossa revolta.
Mas nós distraídos e pequeninos interpretámos as vossas piedosas intenções como desastres, ai de nós, perdoai-nos!!!
http://expresso.sapo.pt/ministro-rui-machete-disponivel-para-esclarecer-erro-involuntario-dia-8-no-parlamento=f832286
http://www.publico.pt/economia/noticia/troca-de-emails-confirma-que-maria-luis-albuquerque-sabia-dos-swaps-1601306
http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=682521&tm=6&layout=122&visual=61
Há quanto tempo não vias o mar
- Há quanto tempo não vias o mar?
- Há algum.
- Por alguma razão?
- Por quebra na
coragem para tourear as vagas.
- E o que fazias quando não vias o mar?
- Coisas.
- Coisas?
- Mexia-me compassadamente entre dois pontos, num vaivém pendular.
- Não compreendo.
- Nem eu.
- Mas mesmo assim fazia-lo?
- O fazer coisas não implica a sua compreensão.
- Então o que é que implica compreensão?
- Ser capaz de ver o mar.
terça-feira, 17 de setembro de 2013
A ética do macaco velho
A ética dominante em Portugal é a Ética do Macaco Velho.
Após uma nada aprofundada pesquisa, creio não existir bibliografia que permita aos desavisados iniciarem a sua educação, existiram alguns mestres nesta disciplina, que deveria ser estruturante no sistema educativo, o método pedagógico apropriado é o "Observa e imita".
O Macaco Velho não reflecte sobre as consequências futuras dos seus actos, garantir a banana, é o seu mote, a banana pode até ser pilhada, mas quem a come torna-se seu dono, por uso comilão.
O próprio sistema jurídico foi construído para ser esburacado pelos Macacos Velhos, há sempre uma saída mesmo que não seja airosa e implique malabarismos. Nada é definitivo.
Para o Macaco Velho as leis e as disposições são sempre contornáveis.
Uma das frases tipo do Macaco Velho é :
- Tem que haver uma forma de dar a volta a isso.
Traduzindo: a lei pode até impedir alguns actos mas com algum artifício linguístico é possível contorná-la.
O Macaco Velho pilha e embrulha de novo, para se escapar à justiça, o Macaco Velho cuida que assim, de ramo em ramo, se revela como verdadeiro dono da selva.
O Macaco Velho não sofre de insónias nem tem consciências gritantes dentro de si, os guinchos agudos e desarmoniosos são exibidos como demonstração de poder.
Este símio julga que a fatiota humana lhe basta para se confundir com um homem, e na verdade tem-lhe sido mais que suficiente.
quarta-feira, 11 de setembro de 2013
e tropeçava e caía e estatelada no chão invocava forças telúricas para retomar o caminho
e tropeçava e caía e estatelada no chão invocava forças telúricas para retomar o caminho
e tropeçava e caía e estatelada no chão invocava forças telúricas para retomar o caminho
e tropeçava e caía e estatelada no chão invocava forças telúricas para retomar o caminho
e tropeçava e caía e estatelada no chão invocava forças telúricas para retomar o caminho
e tropeçava e caía e estatelada no chão invocava forças telúricas para retomar o caminho
e tropeçava e caía e estatelada no chão invocava forças telúricas para retomar o caminho
e tropeçava e caía e estatelada no chão invocava forças telúricas para retomar o caminho
e tropeçava e caía e estatelada no chão invocava forças telúricas para retomar o caminho
e tropeçava e caía e estatelada no chão invocava forças telúricas para retomar o caminho
e tropeçava e caía e estatelada no chão invocava forças telúricas para retomar o caminho
e tropeçava e caía e estatelada no chão invocava forças telúricas para retomar o caminho
e tropeçava e caía e estatelada no chão invocava forças telúricas para retomar o caminho
e tropeçava e caía e estatelada no chão invocava forças telúricas para retomar o caminho
e tropeçava e caía e estatelada no chão invocava forças telúricas para retomar o caminho
e tropeçava e caía e estatelada no chão invocava forças telúricas para retomar o caminho
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e tropeçava e caía e estatelada no chão invocava forças telúricas para retomar o caminho
e tropeçava e caía e estatelada no chão invocava forças telúricas para retomar o caminho
e tropeçava e caía e estatelada no chão invocava forças telúricas para retomar o caminho
e tropeçava e caía e estatelada no chão invocava forças telúricas para retomar o caminho
e tropeçava e caía e estatelada no chão invocava forças telúricas para retomar o caminho
e tropeçava e caía e estatelada no chão invocava forças telúricas para retomar o caminho
e tropeçava e caía e estatelada no chão invocava forças telúricas para retomar o caminho
e tropeçava e caía e estatelada no chão invocava forças telúricas para retomar o caminho
e tropeçava e caía e estatelada no chão invocava forças telúricas para retomar o caminho
e tropeçava e caía e estatelada no chão invocava forças telúricas para retomar o caminho
e tropeçava e caía e estatelada no chão invocava forças telúricas para retomar o caminho
http://www.youtube.com/watch?v=wRe2ObIpm0k
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