domingo, 30 de setembro de 2012
Olhar para nós mesmos e encontrar o monstro em nós. Saber não alimentar o monstro de mim, o monstro de mim come raiva, bebe desprezo e vomita ódios.
A humanidade caminha sobre frágeis caminhos, pontes suspensas no abism, entre a irrelevância e a morte.
O pisar do chão condiciona os sonhos, a terra debaixo dos pés pode sentir-se acariciada ou espezinhada.
Há quem cuide do seu monstro tomando-o por um anjo, e há quem tema os anjos por vê-los como monstros.
Anjos e monstros voam e é uma tarefa difícil distingui-los, escolher qual deles alimentar e aninhar no regaço.
Olhar para nós e ver o monstro de nós mesmos, o outro ou nós mesmos?
sexta-feira, 28 de setembro de 2012
Uma mesa. Um bolo. sete vidas de gato.
Bolo de Chocolate
Ingredientes
5 Ovos
300 Gr. Açucar branco fino
200 Gr Chocolate 70%
200 Gr. Manteiga sem sal
5 Colheres de sopa de farinha.
Modo de preparação.
Acender o forno.
Bater com energia (vara de arames) os ovos e o açúcar, até obter uma espuma esbranquiçada.
Derreter o chocolate e a manteiga, juntando 2 colheres de leite.
Misturar os dois preparados.
Por fim incorporar a farinha sem mexer muito.
Verter numa forma forrada com papel vegetal untado com margarina.
Levar ao forno, ter o cuidado de reduzir a temperatura para o mínimo.
Deixar cozer durante 20 a 25 minutos.
Deve formar uma crosta mas por dentro manter-se-a húmido.
Deixar arrefecer e cobrir com cobertura adequada; Chantilly e morangos, ou pudim de chocolate preparado com natas em vez de leite.
Saborear como se fosse o primeiro ou o último bolo do mundo
quarta-feira, 26 de setembro de 2012
Haverá um universo da infância?
Um menino de seis anos, agitado, conflituoso, sem foco, olha para mim e conta-me:
- Professora Rita, o meu padrasto à noite, diz-me que se eu não adormeço depressa vem lá o Freddy Krueger, e antes de eu ir para a cama mostra-me o Freddy Krueger no computador, e eu escondo-me na cama, num cantinho que tenho lá. Achas que o Freddy Krueger sabe onde eu vivo?.
Nunca levei um murro físico no estômago, mas este momento foi como uma carga de tareia de ficar estendida no chão.
O que se passa com as pessoas adultas?
O que se passa com as pessoas?
Apresso-me a responder ao menino que o Freddy Kruegger não existe, falamos de filmes e efeitos especiais.
Um colega diz-lhe que são só operações plásticas e eu lá desfaço a ideia, próteses de cinema não são operações plásticas, são máscaras que se põem e tiram, são maquilhagem, lá prometo que vou mostrar-lhes o que são próteses para cinema.
Mas a inquietação não desaparece por completo.
-E o Papão, também é do cinema?
Entramos numa zona complicada, a fantasia ao serviço do medo, e as minhas dúvidas são imensas.
Se olharmos para as narrativas infantis, pré-disney, encontramos a crueldade em estado puro, sem açúcar.
A crueldade humana deve ou não ser ensinada às crianças?
Qual a função da crueldade na construção da personalidade?
(vide Bettelheim, Bruno - Psicanálise dos contos de Fadas.Bertrand Editores 2005 (1ª Edição 1975).
O mal, ao contrário do que gostaríamos de acreditar, é humano, esta é uma coisa complicada para ensinar às crianças, se o mal fosse apenas obra de seres fantásticos, as coisas seriam mais simples, os maus seriam sempre e só os outros, os não humanos, os gigantes, os ogres, os zombies.
Sou pessoalmente, muito crítica, da disneyrização dos contos infantis, arredondar as histórias,ao invés de proteger,torna as crianças mais vulneráveis, pois nada no seu universo as predispõe para o reconhecimento do mal e da crueldade humana.
Mas existe uma linha divisória entre preparar para o mundo, feio, cruel, onde os maus são humanos como nós, e a perversão de utilizar referências do terror para adultos ( claramente classificado para maiores de 18 anos) como mecanismo de controlo através do medo. Este gesto é doente, não tem fundamento pedagógico que o defenda, e mesmo em tempos turvos, ou , sobretudo em tempos turvos, é imprescindível separar os gestos que nunca se podem configurar como gestos bons e os gestos de raiz boa.
Contar a uma crianças que os lobo comeu o porquinho que não construiu a sua casa com paciência e empenho, é potencialmente transformador, leva a ponderar a atitude, aterrorizar uma criança com imagens realistas, cinematográficas, de um zombie com mãos de faca, é sempre e só malvado e perturbador.
segunda-feira, 24 de setembro de 2012
Alain de Botton - On Pessimism from The School of Life on Vimeo.
(David e Golias Ticciano- 1542) Golias era estúpido? Golias era certamente presunçoso. David era forte? David era certamente destemido. Contra a força bruta, torna-se necessário treinar a agilidade, a rapidez e alguma matreirice.domingo, 23 de setembro de 2012
Se há coisa para a qual fui gradualmente perdendo paciência, é a moralização linear, infantilizadora e falaciosa que tem sido feita pelas classes dirigentes.
A ideia da formiguinha industriosa, pequenina, encarreirada, esmagável, incansável, isenta de ambição pessoal, por certo não assenta aos nossos ilustres governantes e decisores, mas, acham eles, deveria assentar ao povo, e o povo é uma massa informe, de gente sem desejos, sonhos ou vontades que se deve curvar de gratidão perante a caridade, em vez de exigir direitos.
Assusta-me um mundo sem cigarras, as cigarras são inutilmente essenciais, o seu cantar não mata a fome, nem serve como agasalho nas noites de frio, mas tristes daqueles que não se alimentam do cantar das cigarras, jamais conseguirão desejar um mundo mais belo e mais justo ( sim a beleza e a justiça são amantes nada secretas).
Um mundo de macedos, relvas, e outros lafonténes de vão de escada, sem habilidade para a parábola e cheios de ardis de lupanário.
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