terça-feira, 25 de junho de 2013

Do abandono e de um roseiral na memória. "Crazy" (Gnarls Barkley) - Angela Ricci






A velha casa e a velha senhora e a velha empregada abandonaram-se umas às outras.
A velha senhora abandonou a casa, a velha casa abandonou-se ao lento mastigar da hera, a velha empregada, abandonada, preserva as passadeiras e encera repetidas vezes um chão que já ninguém pisa.
A morte é mais evidente na terra, ali, no lugar do roseiral, conhecem-se agora os limites de um muro outrora coberto por vegetação.
A luz ilumina a ausência.
Garrafas demasiado reais e demasiado recentes,  num chão agora ressequido.
 Um som de cigarras confirma a sentença de um Estio abrupto.
Espectadores da decomposição, portas forçadas, segredos procurados, e o abandono a comer as paredes. Uma casa morre quando dentro dela já não ecoam risos de crianças.

1 comentário:

  1. Abandonos anunciados.
    Saibamos aguardar o regresso das crianças.

    ResponderEliminar